A redescoberta da espiritualidade ou cultura contemplativa

A redescoberta da espiritualidade, que não é religião, mas cultura da consciência de ser, ou cultura contemplativa, é o maior desafio e imperativo do nosso tempo. O maior porque só ela nos pode libertar da nossa maior ilusão: a de procurar fora, naquilo que não é garantido e é passageiro, a paz, a liberdade e a felicidade que desde sempre habitam o nosso ser profundo. O maior porque só ela, neste momento difícil de crise de civilização, nos pode reconectar com os nossos recursos íntimos e encontrar aí um centro a partir do qual possamos lidar positivamente com as vicissitudes e altos e baixos da vida, incluindo a doença, o envelhecimento e a morte (isso nem a economia, nem a política, nem a mera educação intelectual ou artística o podem fazer). O maior porque a espiritualidade ou cultura contemplativa pode-nos conduzir aos estados alternativos de consciência e à felicidade de ser que possibilitam a diminuição do sentimento de separação entre nós e o mundo e a simplificação da vida que por sua vez permitem a transição para uma civilização menos agressiva contra os seres vivos, a natureza e a Terra. Transformando-nos primeiro que tudo por dentro, fazendo de cada um de nós a mudança que queremos ver no mundo, como no lema de Gandhi, a espiritualidade ou cultura contemplativa são o mais sólido fundamento das mudanças para salvar a Vida na Terra: cuidar dos humanos, dos animais e da natureza como um todo inseparável, decrescimento económico e transição para uma sociedade de abundância frugal, transição da competição para a cooperação, transição da democracia representativa para formas de democracia participativa e directa, livres do fosso entre eleitores e eleitos que conduz à abstenção crescente.

A redescoberta da espiritualidade e da cultura contemplativa, nas sabedorias milenares da humanidade e nas suas sérias actualizações contemporâneas, é já um movimento de fundo – como o comprova o crescimento exponencial de praticantes de meditação, yoga e outras artes contemplativas – que começa a dar as suas flores e frutos em todas as áreas da actividade humana, também social, ambiental e cívica.

cultura contemplativa, espiritualidade, mudança de paradigma

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